Página Principal | Roteiro | Artigos | Fotos | Contato                                 

 

Os Poemas dos Incas

Os Incas não possuíam um sistema de escrita, mas isso não nos impossibilita de conhecermos a História e as expressões artísticas desta civilização, além de desenhos ornamentais em paredes e tecidos os Incas tinham um compromisso com a passagem oral de sua História. Uma civilização que obteve tantas conquistas não poderia passar pelo mundo sem deixar grandes registros, seus templos e esculturas marcam significativamente a História dos Incas, mas o conhecimento oral que circulava entre eles tinha grande valor.
 Os Incas que carregam histórias semilegendárias chamam-se amawta, através de cantos eles transportavam a história de cada grande personalidade do mundo inca pelo tempo. È claro que a elaboração destas histórias era muito subjetiva, pois quando eles decidiam produzir um canto, reuniam grandes músicos, poetas, feiticeiros entre outros com grande status na civilização para que “editassem” a história, ou seja, eles retiravam dela tudo o que não devia ser lembrado, para que apenas as características heróicas daquela personalidade se tornassem imortais. 
Por este motivo a História Inca é muito difícil de trabalhar, grande parte dos contos foram escritos pós a chegada dos espanhóis e sofreram influências da cultura européia durante a transcrição, sem falar que mesmo aqueles relatos orais que permaneceram mais próximos da cultura Inca são um grande desafio para História oral devido a credibilidade das informações. Logo os historiadores buscam conhecer a história dos Incas pelas construções magníficas que deixaram, mas com certeza esta civilização possui grandes mistérios que ficaram perdidos durante o choque cultural ou na “censura” dos compositores dos amawta, segredos que talvez nunca possamos alcançar.


Veja abaixo um poema Inca que mostra a aflição de uma jovem presa, esperando sua  punição:


Cântico da donzela infiel, presa ao *cadafalso
Ó pai condor, agarra-me,
Irmão falcão, arrebata-me,
Anuncia-me à minha mãezinha.
Há já cinco dias
Que eu não como,
Que não bebo.
Pai, mensageiro,
Detentor dos sinais, mensageiro veloz,
Leva-me, leva a minha boca, o meu coraçãozinho,
Anuncia-me ao meu pai e à minha mãe.
 *Estrado ou tablado erguido em lugar público para nele se exporem ou se executarem os condenados; patíbulo, forca.
(Publicado por Huaman Poma de Ayala, século XVII- pós-colonial)
Jonatan Tostes Carneiro

 

 

Jonatan Tostes Carneiro (Maio/2011)

Expedição Odisseia no Mundo Inca

Realização:

Centro de Pesquisas Odisseia

www.cpodisseia.com