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Estratificação social no Mundo Incaico

Não é raro ouvir dizer hoje, da boca de antropólogos, historiadores, ou mesmo leigos, o quanto esplendorosa eram as civilizações pré-colombianas. Elogiam-se insistentemente seus feitos nos campos da arquitetura, matemática e astronomia (nós mesmos do Centro de pesquisas Odisséia fizemos questão de discutir tais aspectos de modo a esclarecer algumas questões, quanto à civilização maia, por exemplo), contudo, nem sempre fica muito claro o modo de organização social destes povos, isto é, estes povos eram grandes cientistas e agricultores, mas como eles se organizavam socialmente? Tendo em vista tal problemática, vejamos de maneira sucinta como se processava tal questão no mundo incaico.
Ao falar de estratificação social, podemos pensar em uma pirâmide, como a que está abaixo. Pensando desta forma, Em primeiro lugar vem o imperador. Para ilustrar sua função social, lembremos o que dissera o imperador inca Atahualpa ao conquistador espanhol Pizarro: “No meu reino, nenhum pássaro voa nem folha alguma se move, se esta não for minha vontade”. Ou seja, o imperador era um déspota, soberano supremo da civilização incaica, com plenos poderes políticos e religiosos, era a autoridade máxima deste povo.
Em segundo lugar temos dois grupos extremamente influentes e de importante relevância para a organização e manutenção social, a burocracia administrativa e o clero, que caracterizam a classe dos que não trabalham. A burocracia administrativa era composta por funcionários encarregados das funções de vigilância, planejamento e arrecadação do imposto coletivo, sendo assim, aqui estavam [basicamente] militares, cobradores de impostos e sábios (conselheiros). Quanto ao clero, trata-se do grupo responsável pela difusão de valores, da ideologia, da religião, ou seja, os sacerdotes – a função social deste grupo é de extrema importância para a manutenção desta ordem social, pois, é este grupo que perpetua a ideia de que o imperador é uma figura divina, ou ainda, são eles que dizem o que é certo e o que é errado frente aos deuses, por exemplo. 
Em terceiro e último lugar, vem a base da civilização incaica, a classe que trabalha, composta por camponeses (responsáveis pela produção agrícola) e artesãos (em geral, ferreiros e oleiros). Além de cumprirem com suas respectivas funções “técnicas”, as pessoas desta classe poderiam ser convocadas a qualquer momento para prestar serviços públicos, como por exemplo, a drenagem de pântanos ou a construção de aquedutos. A esta altura, o leitor pode estar sentindo falta de um determinado grupo social, muito comum nas sociedades pré-colombianas, os escravos. Pois bem, no mundo incaico havia escravos? Sim, havia. Contudo, sua importância para a produção da vida material era mínima, seu trabalho reduzia-se à mineração. Os responsáveis pelas bases da economia eram os camponeses, fundamentalmente.
Por fim, vale dizer que, esta singela exposição serve como um pequeno guia da organização social incaica. Em verdade, existem grandes discussões acerca das funções sociais de cada grupo, tal como o próprio entendimento da estrutura social e seu modo de produção que, é sem dúvida alguma, um dos elementos mais importantes a se analisar para compreender-se o mundo incaico, mas essa é uma discussão para outra hora.

 

Allan Santana e Jonatan Tostes Carneiro (Maio/2011)

Expedição Odisseia no Mundo Inca

Realização:

Centro de Pesquisas Odisseia

www.cpodisseia.com